POEMAS

CONVERSÃO

E quando o luar

Banha teus cabelos em cordões de prata,

Deslizando sobre as costas nuas,

Fico a querer-te, mesmo perdida.

Tenho desejos causticantes

E fantasias alucinantes

De ver-te na transparência

Deste raio de lua.

Daqui a pouco,

Mandarias me chamar

Tal um outro visitante,

Para de novo me embriagares.

Quero teus vinhos cor de sangue,

De volúpias sem fim,

Mesmo rastejando na areia

E me envolvendo na teia

Que não amarra só a mim.

Vem, moça cor de serenata,

Vem, dentro da madrugada

E leva este pobre devasso

Para além de mim.

 

———————Lina Correa

 

É Advogada da União, na Procuradoria da União em Minas Gerais. Natural de Bom Jesus do Itabapoana-RJ, mas cresceu em São José do Calçado, no Estado do Espírito Santo-Brasil. Ocupante da cadeira n. 08 da Academia Calçadense de Letras. Membro correspondente da Academia de Letras e Artes de Goiás-GO, da Academia de Letras e Artes de Fortaleza; da Academia de Letras e Artes de Vitória -ES, do Núcleo dos Países Lusófonos, do Núcleo de Artes Y Letras de Buenos Aires, Membro fundadora da Academia de Belas Artes de Minas

 

 

 

 

FUGA

Quero abandonar a lucidez
Não, esse vinho não adianta…
Uma garrafa, duas… quantas?
Caramba!
Vejo tudo
Ouço
Como dói essa nitidez!
Sinto muito, bauman, mas meu mundo é nítido
Apenas o vinho, aqui, é líquido
Cansei!
Dessa luz ultrassônica
Desse ruído ofuscante
Fugir não adianta?
Claro que adianta-ria
Mas fugir não é possível
Tento escapar
E sinto paz
De um jeito imperfeito
Nesse plano falível
Reverso
De um verso sofrível

 

——————Sandra Boveto

 

Sandra Boveto (Maringá/PR), possui formação acadêmica em Letras e Direito. Tem publicado um livro infantojuvenil, além de contos e poemas em antologias no Brasil e Portugal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

TEMPO

 

Ó tempo tirânico

Como fustigas o tempo todo

Nada diante de ti é um alento

A forma como te percebo

No teu furtivo e perverso passar

Em muitos tempos, acelerado

Noutros poucos tempos, lento

Deixa-me pávido

Em confuso desalento

Por que mastigas minhas horas?

E, se as engoles sem demora,

Não terás uma indigestão de horas?

Pudera eu congelar-te por muito tempo

Viver sem ver-te envelhecer

E sem ver-me passar por ti

Ou seria o contrário?

Viver sem ver-me envelhecer

E sem ver-te passar por mim

Ou seria tudo isso ao mesmo tempo?

Poderíamos ainda ser dois grandes amigos

Mas não velhos amigos, tampouco amigos velhos

Seríamos dois

Dois novos amigos

Vivendo num único momento

Estanque em nosso tempo

 

——————Everton Medeiros

 

Everton Medeiros da Silveira (Porto Alegre/RS, 1968). Em 2001, registrou seu primeiro roteiro cinematográfico (voltado ao mercado norte-americano) no Brasil e nos Estados Unidos. Em 2015 iniciou a escrita de contos e poesias para antologias no Brasil e em Portugal.

 

 

 

MINHA PRESUNÇÃO

Na poesia, e na escrita,

Se acaso eu tivesse uma meta,

Uma ambição insana

Não seria superar Homero

Nem Shakespeare

Nem Cervantes

São mitos e lendas

E há sempre uma dúvida

Quanto a se existiram de fato.

 

Contudo há um espírito

Um poeta maior que Dante

Que não se alcança facilmente

O seu eco de loucura fascinante

Nem em sonho ou em delírios

Um poeta que é a soma de todos estes.

 

Eu se fosse poeta

Em meus devaneios

Só almejaria uma coisa

Escrever como um tal Fernando

Um esquizofrênico consciente

Que em meio a tanta solidão

Se superou e deu vida a muita gente.

 

————————Evan do Carmo

 

Jornalista, poeta, escritor e músico. Autor de 22 livros, editor e dono da Editora do Carmo. Criador do projeto Dez poetas e Eu.

 

 

 

 

 

 

 

OUTONO

 

Esconde o clarão do dia,

No bolsinho da curta saia,

A sábia moça assanhada…!

 

Tece e crocheta com fio de sol dourado…

E assim desenha a alva…!

A Aurora aponta num horizonte distante,

Com um toque frio de brisa

E raios mornos de sol constante…!

 

Vem o tempo e seus ponteiros,

Que contam os passos e horas,

Da vida da moça tão bela …!

 

E tão logo começa o cair da tarde,

Sua pele amadurece…

Mas não percebe e acha,

Que a sua beleza permanece…!

 

Espelho a dona moça não tem…

Só se olha à beira dum riacho…

E como Narciso, mesmo ao entardecer,

Contudo se acha bela!

Esqueceu que acabou,

A tal estação chuvosa …

E já brotou fruto maduro…

Que era inverno…

Que a linda se rosa abriu,

Mas secou com o outono…!

Outra noite se aproxima…

A moça já bem cansada,

Tecer, já não tece mais…

Só crocheta na vida, sentada…

Vestidos compridos da cor do amor,

E poesia rimada!

 

—————-Iranete do Carmo

DE ANO A ANO

 

Amores vêm e vão como as estações,

Alguns como o verão nos aquecem

Iluminam nosso dia como o sol

Fazem-nos brilhar como as estrelas…

 

Alguns são como o outono,

Morrem como as folhas secas

Mas, antes, deixam suas marcas

E então partem deixando a saudade…
Há os amores frios como o inverno,

Tão passageiros que não se notam

Corações padecem gélidos e sem sol

Aguardando um outro amor passageiro…

 

Ah! Então chegam os amores de primavera;

Amores de cores e olores distintos

Tão belos como jardins floridos

Que enfeitam a vida de todos os amantes…

 

 

——————–Welk Alves

 

Welk Alves é poeta e escritor paraense, vive atualmente em São Félix do Xingu. Escreve poesias, mensagens, textos evangélicos, crônicas e contos. Já publicou em outras antologias literárias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PÁSSARO DAS 4

 

Pela janela do quarto

Escuto um pássaro

Sem falta, sem atraso

Todo dia, às 4

 

Assim como o veludo

O cantar é macio

No meu mundo desnudo

Nenhum pássaro faz ninho

 

Lá pelas 4

O cantar é exato

Desperto assim, sem ti

Neste mundo ingrato

 

Será um tico-tico?

Talvez um bem-te-vi

Sendo certo um sabiá

É porque não está aqui

 

Esse pássaro sempre volta

Todo dia lá pelas 4

Já meu amor por você

Virou peça de teatro

 

———————–Ederson Marques

 

Ederson Marques – Jornalista, cientista político, poeta e amante das belas artes. Co-autor do livro “Brasília – 48 anos de esperança” e pesquisador do livro “Fantasiön”, relato de um sueco sobre Brasília.

 

 

 

 

ME PERSEGUES

 

Minha sombra me persegue.

Eu me persigo.
Por trás de tudo há a loucura.

E por trás dela eu me escondo.

 

Resisto, mas contra a sandice não existe luta.

Sim, a própria luta é uma sandice.

Então eu me entrego, venha, venha logo me buscar.

 

Guia-me pelas sendas da desesperança.

Um dia talvez descubra eu o caminho de volta.

Em busca da normalidade, do banal, do admissível.

 

Se é que isso vale a pena.

 

——————Evan Henrique

 

Professor, Poeta e escritor. Porque a natureza forja do barro aquilo que lhe apraz, ele é melhor com as letras do que seus pais, mas não diz que é poeta ou coisa tal.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SAUDADES DE LISBOA.

 

Em Lisboa, Mouraria,

Ver Marisa a cantar um fado.

Ir à Alfama, ao teu lado,

E na Augusta, noite ou dia.

Almeida Garrett, Chiado,

Lá na casa do Pessoa,

Sentir saudades da Lisboa,

Do poeta muito amado.

Ouvir o silêncio do Tejo.

Uma saudade a queimar,

Meu peito, do além mar.

Lisboa, te mando um beijo.

Quero de novo, ao voltar,

Ouvir teu fado, e sonhar.

 

—————-José Carlos Boudoux.

 

José Carlos Boudoux nasceu em Recife, Pernambuco, em 10 de Junho de 1947.  Concluiu os cursos universitários de Engenharia Elétrica ( 1970 ), e Psicologia Clinica ( 1995 ). Trabalhou como engenheiro na Companhia Hidrelétrica do São Francisco( CHESF) de 1971 à 1995.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DEVANEIOS

 

Ao nos amarmos mantemos

A galhardia de deixar acontecer

Renovando acepções, devaneios e vidas

Ficando constantemente em êxtase
Corações enfatizam inefáveis

Fórmulas angelicais das querenças

Onde entusiasticamente nós

Nos revelamos eternos parceiros.

 

Prazeres colossais refazemos

Em imagináveis ilusões, onde

São paradisíacos os encantos de tocar

Predominando sempre o amor.

 

Espetáculos são refeitos

Onde desfilam almas gêmeas

Que nos fazem ficar perplexos

Como os amantes em foco: estar!

 

——————–Clebio José Pessoa de Melo

 

Clébio José Pessoa de Melo, filho de Fábio Gontijo de Melo e Clêdes Pessoa. Nascido em 06/07/1950 em Tiros – MG. Aos nove meses seus pais se mudaram para Capelinha do Chumbo, distrito de Patos de Minas, hoje Major Porto; lá permaneceram até 1958. Aos oito anos de idade, mudou-se com a família para Belo Horizonte onde morou por 54 anos. Hoje, reside em Lagoa Formosa – MG, cidade a qual o acolheu de braços abertos e fez se tornar possível o seu grande sonho de relançar o seu precioso livro.

 

 

 

 

 

 

CADA INSTANTE

 

Cada instante é importante,

Vibrante, tocante, impressionante,

Como uma pluma

Pousando levemente

No chão depois de

Desprender-se da ave

Que voou para longe.

Igual a um espaço

Que é ocupado por

Uma matéria feita

Sobre medida (aparentemente).

É o tempo que ocupa espaço,

É o espaço que ocupa tempo,

Tudo tão fluente no decorrer

De cada história, de cada passagem, narrada, vivida,

Solidificada, sonhada ou planejada.

Porquê tudo ocupa tempo,

E tudo ocupa espaço.

Fotografias, cartas, uma pétala de rosa,

Um bilhete de cinema,

Uma fita cassete com músicas românticas.

Um vidro de perfume com

Um restinho de fragrância.

Lembranças, cheiros, na tentativa de guardar um momento,

De guardar o tempo em uma caixa enfeitada.

É o tempo que ocupa espaço,

É o espaço que ocupa tempo,

A cada instante.

 

——————-Daiane Souto.

 

Poeta romântica

Daguia Daiane Souto Silva, solteira, 33anos.

Nascida no RN, hoje mora em Catalão GO.

 

 

APENAS MENTAL

 

Um passeio dentro

Das minhas lembranças.

Orientado no pulsar do

Coração…

Viajando no tempo…

Do que foi um dia real.

Disponíveis em quadro

Mental…

A ser visitado

Quando o coração

Manifestar saudade.

Hoje tele transporte

Apenas mental…

Buscar suprimentos

Rejuvenescedor

Para o coração…

Reajuntar sentimentos

Dispersos no tempo

Que o amor garantia

Prazer de sentir no

Peito, os efeitos de amar

E ser amado!

Compartilhando a beleza

De viver em harmonia

Com vida consciente!

 

——————Felipe klabunde

 

De Brusque, Santa Catarina.

Mora em Blumenau.

Poeta romântico autor ITE ( apelido de infância e como é conhecido intimamente) é um sonhador com o coração nas mãos sobre o papel resistindo a acreditar no amor…

 

 

 

NA VERDADE

 

” “Poeta é um fingidor”, versou Pessoa…

O disse muito certo esse poeta,

E tal verdade o coração lanceta

Bem como, em quem vos versa aqui, ressoa!…

 

Eu finjo uma risada em mim, discreta,

Mas essa, do soneto meu, destoa;

Sorrio a dor que chora ao peito, à toa,

E lágrimas que um riso novo enceta.

 

Simulo não querer quando mais quero

E nego a vinda de quem mais espero

Se busco a rima pra felicidade…

 

Poeta não disfarça porque quer;

Há sempre nisso um vulto de mulher

Por quem o seu amor é de verdade!!… ”

 

————–Paulo Braga Silveira Junior

É natural de São João da Boa Vista-SP

Residente e domiciliado… Filho de Paulo Braga Silveira e Zilda Sguassabia Silveira.

 

 

 

 

 

 

 

 

NA ESTRADA DA VIDA

 

Na estrada da vida

Vou vivendo…

Num caminho incerto

Trilha de decepções…

E nessa trilha dolorosa

Vou tentando me recompor,

Estou tentando me encontrar, me achar…

Pois perdida estou

Nesse grande mar

De desilusão…

Agora estou num naufrágio

Entres as águas do mar

Que me levam a nadar

Em busca da tão sonhada

Felicidade!

Em busca de minha alma

Saciar…!

 

——————-Marcia Cristina Tonoli

 

Marcia Cristina Tonoli do Carmo, natural do RJ, trabalha

Como cuidadora e ama escrever poesia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFLEXÃO

 

Às vezes, fico a pensar

Como seria a vida

Sem poesia.

 

A poesia

Cria asas e voa

Até em forma de música

E faz a vida mais feliz.

 

A vida sem poesia

Não haveria música

E, sem música

Não haveria alegria!

 

Antônio Simplício

 

Antônio Simplício de Sousa é natural de São José do Piaui-PI. Nasceu aos 28-05-1952. Estudou o Ensino Fundamental, Médio e Superior incompleto. Fez curso de Relações Humana e de Venda. Trabalhou como auxiliar de escritório em Salvador-Ba e como Representante Comercial na cidade do Rio de Janeiro-RJ e em São Paulo-SP. Hoje vive na cidade de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, onde é comerciante, viúvo e pai de três filhos. Escreveu vinte e três obras, entre romances, contos, infantojuvenis e poemas. Algumas publicadas, outras engavetadas, na espera de oportunidade.

 

 

 

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